Corpus Christi

Tradição das ruas enfeitadas ajuda na celebração do Corpus Christi

Para quem pensava que a tradição das ruas enfeitadas estava chegando ao fim, as muitas manifestações em nossas paróquias, onde vemos durante a madrugada grupos de famílias se reunindo para enfeitar as ruas próximas de suas comunidades, vêm provar que a tradição permanece bem viva e até vem crescendo na região.

Nas sete cidades temos exemplos dessa manifestação de fé, como a Paróquia Santa Luzia e Paróquia São José, de Ribeirão Pires. A Santo Expedito do Jardim Atlântico, em São Bernardo do Campo, a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, do Parque Novo Oratório, em Santo André, a Paróquia Sagrada Família, no centro de São Caetano do Sul, a Paróquia São Camilo de Lellis, no Camilópolis. E dentre outras, a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, da Vila Marlene, São Bernardo, onde as famílias levam tapetes e cobertores para serem doados aos mais carentes.

A festa foi instituída pelo Papa Urbano IV

“Corpus Christi” quer dizer “Corpo de Cristo”. Ele está presente na hóstia consagrada, que é o corpo e o sangue de Cristo derramado sobre o mundo. É para celebrar o amor pela santa Eucaristia que é levado em procissão o Divino Sacramento, proclamando que naquele Corpo imolado pelo ser humano e naquele sangue, Deus quis estabelecer a Nova Aliança, a fim de que se concretizem a libertação verdadeira e a salvação esperada.

A história

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao Século XIII. A Santa Igreja sentiu necessidade de realçar a presença real do “Cristo todo” no pão consagrado. A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula “Transiturus”, de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.

O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico.

A “Fête Dieu” (Festa de Deus) começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização do arcediago para procissão eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia. Em 1247, aconteceu a 1ª procissão eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois tornou-se festa nacional na Bélgica.

A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264. O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia, na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma é encontrada desde 1350.

A festa no Brasil

Em muitas cidades portuguesas e brasileiras é costume ornamentar as ruas por onde passa a procissão com tapetes de colorido vivo e desenhos de inspiração religiosa. Esta festividade de longa data se constitui uma tradição no Brasil, principalmente nas cidades históricas revestidas de práticas antigas e tradicionais, as ruas são embelezadas com decorações de acordo com costumes locais.

Direito Canônico

Esta festa cristã é realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade. É uma festa de “preceito”, isto é, para os católicos é obrigatório participar da missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.

A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código Canônico (art. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, “para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo”.

Por Humberto Pastore -  A Boa Notícia