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	<title>Catedral Nossa Senhora do Carmo</title>
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	<description>Igreja Catedral da Diocese de Santo André, São Paulo, Brasil</description>
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		<title>Quermesse na Catedral 2012</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 21:28:03 +0000</pubDate>
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		<title>Cristo Ressuscitado está conosco…</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Apr 2012 23:27:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Celebrar a Páscoa é proclamar que Jesus ressuscitou. É encontrar o Senhor Ressuscitado e viver com Ele uma vida nova. Jesus Cristo ressuscitou e vive atualmente na plenitude de Deus e em sua Igreja. De onde provém este anúncio? Ele provém de longe. Provém do Anjo da Ressurreição; provém das mulheres que, na madrugada daquele...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.catedraldocarmo.org.br/site/2012/04/cristo-ressuscitado-esta-conosco/christ_resurrection/" rel="attachment wp-att-677"><img class="size-medium wp-image-677 alignleft" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Christ_Resurrection" src="http://www.catedraldocarmo.org.br/site/wp-content/uploads/2012/04/Christ_Resurrection-234x300.jpg" alt="" width="234" height="300" /></a>Celebrar a Páscoa é proclamar que Jesus ressuscitou. É encontrar o Senhor Ressuscitado e viver com Ele uma vida nova.</p>
<p>Jesus Cristo ressuscitou e vive atualmente na plenitude de Deus e em sua Igreja. De onde provém este anúncio? Ele provém de longe. Provém do Anjo da Ressurreição; provém das mulheres que, na madrugada daquele distante “primeiro dia da semana”, foram ao sepulcro e o encontraram “vazio’; provém de Pedro e a seguir de todos os Onze que O viram, comeram e beberam com Ele (cf. At 10, 41).</p>
<p>Este anúncio propagou-se rapidamente de pessoa a pessoa, formando uma Comunidade em Jerusalém. A nossa fé fundamenta-se no anúncio de um fato: “Ele ressuscitou e foi visto!”O cristianismo fundamenta-se sobre a fé em Cristo Ressuscitado e não sobre ideologias ou ideias abstratas por mais elevadas e atraentes que sejam.</p>
<p>A Ressurreição não foi um retorno à vida terrena. O que não passaria de um grande milagre. “Sabemos que Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais. A morte não tem mais poder sobre ele” (Rm 6, 9), o que implica que o Seu corpo passa do estado de morte para uma outra vida que está para além dos limites do tempo e do espaço.</p>
<p>Cristo ressuscitado já não entra no convívio das pessoas, mas manifesta-se a quem quer e quando quer e das formas mais variadas, a ponto de não ser reconhecido pelos que tinham convivido com Ele, e isto para suscitar-lhes e solidificar-lhes a fé.</p>
<p>Portanto, a Ressurreição do Senhor Jesus é um fato histórico, testemunhado pelos apóstolos: “Deus ressuscitou-o no terceiro dia e concedeu-lhe que se manifestasse, não a todo o povo, mas às testemunhas designadas de antemão por Deus: a nós, que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos”(At 10, 40-42).</p>
<p>Por outro lado, o milagre da ressurreição não quer ser uma superdemonstração do poder de Deus para convencer os seres humanos. Com efeito, Jesus não quer gente convicta, mas pessoas que acreditam no amor. Se Jesus quisesse forçar as pessoas a acreditarem Nele, teria aparecido a Caifás, a Pilatos, a Herodes e não apenas a seus amigos (cf. Jo 20, 1-9).</p>
<p>Deus ressuscitou Jesus. Somente os amigos, contudo, que acreditavam Nele foram capazes de vê-Lo e acolhê-Lo.</p>
<p>Cada um de nós é chamado a fazer a experiência de Cristo ressuscitado. O cristão que vive em si a Ressurreição de Jesus, isto é, que faz experiência pessoal da Ressurreição de Cristo, olhará para si mesmo, para as pessoas que o cercam e para o mundo, com um olhar diferente, original, criativo… De cada cristão espera-se que transpareça irradiante o rosto de Cristo ressuscitado.</p>
<p>Seremos testemunhas felizes e autênticas da Ressurreição do Senhor na medida em que formos capazes de abrir nossos olhos e de remover toda pedra do coração para acolher com alegria a luz da ressurreição e torná-la experimentável aos que necessitam de nossa solidariedade fraterna.</p>
<p>Possa Cristo ressuscitado encontrar-nos vigilantes e com o coração aberto para reconhecer o Seu rosto e levar a todos a “Boa Notícia”: “Vimos o Senhor!”.</p>
<p>A todos (as) os (as) queridos (as) Leitores (as) do “Boa Notícia”, votos de santa Páscoa e de feliz encontro com Cristo Ressuscitado!</p>
<p><strong>Dom Nelson Westrupp, scj</strong></p>
<p><strong>Bispo Diocesano de Santo André</strong></p>
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		<title>Vigília Pascal 2012</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Apr 2012 05:41:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>celsozanettijr</dc:creator>
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		<pubDate>Fri, 06 Apr 2012 02:00:35 +0000</pubDate>
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		<title>Programação Semana Santa 2012</title>
		<link>http://www.catedraldocarmo.org.br/site/2012/03/programacao-semana-santa-2012/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2012 18:36:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>celsozanettijr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Celebrações e Festividades]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Páscoa]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.catedraldocarmo.org.br/site/2012/03/programacao-semana-santa-2012/semanasanta/" rel="attachment wp-att-665"><img class="aligncenter size-full wp-image-665" title="semanasanta" src="http://www.catedraldocarmo.org.br/site/wp-content/uploads/2012/03/semanasanta.jpg" alt="" width="620" height="855" /></a></p>
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		<title>MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA BENTO XVI PARA A QUARESMA DE 2012</title>
		<link>http://www.catedraldocarmo.org.br/site/2012/02/mensagem-de-sua-santidade-papa-bento-xvi-para-a-quaresma-de-2012/</link>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2012 19:42:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>celsozanettijr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Quaresma]]></category>

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		<description><![CDATA[«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (Heb 10, 24) &#160; Irmãos e irmãs! A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos<br />
ao amor e às boas obras» (</strong></em><strong>Heb</strong><strong> 10, 24)</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Irmãos e irmãs!</em></p>
<p>A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.</p>
<p>Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da <em>Carta aos Hebreus</em>: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da <em>fé</em>» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa <em>esperança</em>» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o <em>amor</em> e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.</p>
<p>1. «<em>Prestemos atenção</em>»: a responsabilidade pelo irmão.</p>
<p>O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é <em>katanoein, </em>que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. <em>Lc</em> 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. <em> Lc</em> 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma <em> Carta aos Hebreus</em>, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. <em>Gn</em> 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao <em>bem</em> do outro e a <em>todo</em> o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro <em>alter ego</em>, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. <em> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_26031967_populorum_po.html">Populorum progressio</a></em>, 66).</p>
<p>A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (<em>Sal</em> 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. <em>Lc</em> 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. <em>Lc</em> 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (<em>Prov</em> 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (<em>Mt</em> 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.</p>
<p>O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: <em>a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna.</em> De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (<em>Prov</em> 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. <em>Mt</em> 18, 15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – <em>elenchein –</em> é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. <em>Ef</em> 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (<em>Gl</em> 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (<em>Prov</em> 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. <em>1 Jo</em> 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. <em>Lc</em> 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.</p>
<p>2. <em>«Uns aos outros</em>»: o dom da reciprocidade.</p>
<p>O facto de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (<em>Rm</em> 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (<em>Rm</em> 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (<em>1 Cor</em> 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.</p>
<p>Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (<em>1 Cor</em> 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. <em>Mt</em> 5, 16).</p>
<p>3. «<em>Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»:</em> caminhar juntos na santidade.</p>
<p>Esta afirmação da <em>Carta aos Hebreus </em>(10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. <em>1 Cor</em> 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (<em>Prov </em>4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. <em>Ef</em> 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.</p>
<p>Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. <em>Mt</em> 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. <em>Lc</em> 12, 21; <em>1 Tm</em> 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. <em> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/apost_letters/documents/hf_jp-ii_apl_20010106_novo-millennio-ineunte_po.html">Novo millennio ineunte</a></em>, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (<em>Rm</em> 12, 10).</p>
<p>Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. <em>Heb</em> 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.</p>
<p><em>Vaticano, 3 de Novembro de 2011</em></p>
<p align="center"><strong>BENEDICTUS PP. XVI</strong></p>
<p align="center"><span style="color: #663300; font-size: small;">© Copyright 2011 &#8211; Libreria Editrice Vaticana</span></p>
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		<title>Quarta-Feira de Cinzas</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2012 19:38:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>celsozanettijr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Celebrações e Festividades]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Quaresma]]></category>

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		<description><![CDATA[Com a imposição das cinzas, se inicia uma estação espiritual particularmente relevante para todo cristão que quer se preparar dignamente para viver o Mistério Pascal, quer dizer, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus. Este tempo vigoroso do Ano litúrgico se caracteriza pela mensagem bíblica que pode ser resumida em uma palavra: &#8221; matanoeiete&#8221;,...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Com a imposição das cinzas, se inicia uma estação espiritual particularmente relevante para todo cristão que quer se preparar dignamente para viver o Mistério Pascal, quer dizer, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus.</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Este tempo vigoroso do Ano litúrgico se caracteriza pela mensagem bíblica que pode ser resumida em uma palavra: &#8221; matanoeiete&#8221;, que quer dizer &#8220;Convertei-vos&#8221;. Este imperativo é proposto à mente dos fiéis mediante o austero rito da imposição das cinzas, o qual, com as palavras &#8220;Convertei-vos e crede no Evangelho&#8221; e com a expressão &#8220;Lembra-te de que és pó e para o pó voltarás&#8221;, convida a todos a refletir sobre o dever da conversão, recordando a inexorável caducidade e efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">A sugestiva cerimônia das cinzas eleva nossas mentes à realidade eterna que não passa jamais, a Deus; princípio e fim, alfa e ômega de nossa existência. A conversão não é, com efeito, nada mais que um voltar a Deus, valorizando as realidades terrenas sob a luz indefectível de sua verdade. Uma valorização que implica uma consciência cada vez mais diáfana do fato de que estamos de passagem neste fadigoso itinerário sobre a terra, e que nos impulsiona e estimula a trabalhar até o final, a fim de que o Reino de Deus se instaure dentro de nós e triunfe em sua justiça.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Sinônimo de &#8220;conversão&#8221;, é assim mesmo a palavra &#8220;penitência&#8221; …<br />
Penitência como mudança de mentalidade. Penitência como expressão de livre positivo esforço no seguimento de Cristo. </span></p>
<p><span style="color: #006600; font-family: Verdana; font-size: x-small;"><strong>Tradição</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Na Igreja primitiva, variava a duração da Quaresma, mas eventualmente começava seis semanas (42 dias) antes da Páscoa.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Isto só dava por resultado 36 dias de jejum (já que se excluem os domingos). No século VII foram acrescentados quatro dias antes do primeiro domingo da Quaresma estabelecendo os quarenta dias de jejum, para imitar o jejum de Cristo no deserto.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Era prática comum em Roma que os penitentes começassem sua penitênica pública no primeiro dia de Quaresma. Eles eram salpicados de cinzas, vestidos com saial e obrigados a manter-se longe até que se reoconciliassem com a Igreja na Quinta-feira Santa ou a Quinta-feira antes da Páscoa. Quando estas práticas caíram em desuso (do século VIII ao X) o início da temporada penitencial da Quaresma foi simbolizada colocando cinzas nas cabeças de toda a congregação.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Hoje em dia na Igreja, na Quarta-feira de Cinzas, o cristão recebe uma cruz na fronte com as cinzas obtidas da queima das palmas usadas no Domingo de Ramos do ano anterior. Esta tradição da Igreja ficou como um simples serviço em algumas Igrejas protestantes como a anglicana e a luterana. A Igreja Ortodoxa começa a quaresma desde a segunda-feira anterior e não celebra a Quarta-feira de Cinzas.</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Com a imposição das cinzas, se inicia uma estação espiritual particularmente relevante para todo cristão que quer se preparar dignamente para viver o Mistério Pascal, quer dizer, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus.</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Este tempo vigoroso do Ano litúrgico se caracteriza pela mensagem bíblica que pode ser resumida em uma palavra: &#8221; matanoeiete&#8221;, que quer dizer &#8220;Convertei-vos&#8221;. Este imperativo é proposto à mente dos fiéis mediante o austero rito da imposição das cinzas, o qual, com as palavras &#8220;Convertei-vos e crede no Evangelho&#8221; e com a expressão &#8220;Lembra-te de que és pó e para o pó voltarás&#8221;, convida a todos a refletir sobre o dever da conversão, recordando a inexorável caducidade e efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">A sugestiva cerimônia das cinzas eleva nossas mentes à realidade eterna que não passa jamais, a Deus; princípio e fim, alfa e ômega de nossa existência. A conversão não é, com efeito, nada mais que um voltar a Deus, valorizando as realidades terrenas sob a luz indefectível de sua verdade. Uma valorização que implica uma consciência cada vez mais diáfana do fato de que estamos de passagem neste fadigoso itinerário sobre a terra, e que nos impulsiona e estimula a trabalhar até o final, a fim de que o Reino de Deus se instaure dentro de nós e triunfe em sua justiça.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Sinônimo de &#8220;conversão&#8221;, é assim mesmo a palavra &#8220;penitência&#8221; …<br />
Penitência como mudança de mentalidade. Penitência como expressão de livre positivo esforço no seguimento de Cristo. </span></p>
<p><span style="color: #006600; font-family: Verdana; font-size: x-small;"><strong>Tradição</strong></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Na Igreja primitiva, variava a duração da Quaresma, mas eventualmente começava seis semanas (42 dias) antes da Páscoa.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Isto só dava por resultado 36 dias de jejum (já que se excluem os domingos). No século VII foram acrescentados quatro dias antes do primeiro domingo da Quaresma estabelecendo os quarenta dias de jejum, para imitar o jejum de Cristo no deserto.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Era prática comum em Roma que os penitentes começassem sua penitênica pública no primeiro dia de Quaresma. Eles eram salpicados de cinzas, vestidos com saial e obrigados a manter-se longe até que se reoconciliassem com a Igreja na Quinta-feira Santa ou a Quinta-feira antes da Páscoa. Quando estas práticas caíram em desuso (do século VIII ao X) o início da temporada penitencial da Quaresma foi simbolizada colocando cinzas nas cabeças de toda a congregação.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">Hoje em dia na Igreja, na Quarta-feira de Cinzas, o cristão recebe uma cruz na fronte com as cinzas obtidas da queima das palmas usadas no Domingo de Ramos do ano anterior. Esta tradição da Igreja ficou como um simples serviço em algumas Igrejas protestantes como a anglicana e a luterana. A Igreja Ortodoxa começa a quaresma desde a segunda-feira anterior e não celebra a Quarta-feira de Cinzas.</span></p>
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		<title>LOGOMARCA OFICIAL DA JMJ RIO2013: CONCEITO</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2012 17:03:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>celsozanettijr</dc:creator>
				<category><![CDATA[JMJ2013]]></category>

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		<description><![CDATA[Conceito Com base no trecho da Palavra do Evangelho de São Mateus, percebe-se a necessidade de expressar uma referência direta à imagem de Jesus e ao sentido do discípulo. Neste episódio, Jesus se encontrou com seus discípulos em uma montanha, após sua ressurreição. Como símbolo da cidade do Rio de Janeiro, o Cristo Redentor também se...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.catedraldocarmo.org.br/site/2012/02/logomarca-oficial-da-jmj-rio2013-conceito/imagem_da_explicao_da_logo_07022012203313/" rel="attachment wp-att-607"><img class="size-full wp-image-607 alignleft" style="margin-left: 15px; margin-right: 15px;" title="Imagem_da_explicao_da_logo_07022012203313" src="http://www.catedraldocarmo.org.br/site/wp-content/uploads/2012/02/Imagem_da_explicao_da_logo_07022012203313.jpg" alt="" width="320" height="240" /></a></p>
<p><strong>Conceito</strong></p>
<p>Com base no trecho da Palavra do Evangelho de São Mateus, percebe-se a necessidade de expressar uma referência direta à imagem de Jesus e ao sentido do discípulo. Neste episódio, Jesus se encontrou com seus discípulos em uma montanha, após sua ressurreição. Como símbolo da cidade do Rio de Janeiro, o Cristo Redentor também se encontra em uma montanha e é um monumento reconhecido no mundo inteiro. O tema é uma palavra de ordem proclamada pelo próprio Senhor Jesus, e assim a Sua imagem possui destaque no centro do símbolo.</p>
<p>Os elementos do símbolo formam a imagem de um coração. Na fé dos povos o coração assumiu papel central, assim como o Brasil será o centro da juventude na Jornada Mundial. Também designa o homem interno por inteiro, se tornando nesta composição a referência aos discípulos que possuem Jesus em seus corações.</p>
<p>Os braços do Cristo Redentor ultrapassam a figura do coração, como o abraço acolhedor de Deus aos povos e jovens que estarão no Brasil. Representa nossa acolhida, como povo de coração generoso e hospitaleiro.</p>
<p>A parte superior (em verde) foi inspirada nos traços do Pão de Açúcar, símbolo universal da cidade do Rio de Janeiro, e a cruz contida nela reforça o sentido do território brasileiro conhecido por Terra de Santa Cruz. As formas que finalizam a imagem do coração possuem a cor azul, representando o litoral, somada ao verde e amarelo que transmitem a brasilidade das cores da bandeira nacional.</p>
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		<title>Natal e Epifania entre Oriente e Ocidente</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 14:05:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>celsozanettijr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[de Edoardo Arborio Mella &#124; 5 de Janeiro de 2012 &#8211; TerraSanta.net O Ciclo litúrgico do Natal e da Epifania se move essencialmente entre duas tradições: uma do ocidente que deu vida à festa do Natal e a outra do Oriente que se desenvolveu na festa da Epifania. As nossas informações são obviamente fragmentadas, baseadas nos escritos de...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>de <strong>Edoardo Arborio Mella</strong> | 5 de Janeiro de 2012 &#8211; <a title="TerraSanta.net" href="http://www.terrasanta.net">TerraSanta.net</a></p>
<div>O Ciclo litúrgico do Natal e da Epifania se move essencialmente entre duas tradições: uma do ocidente que deu vida à festa do Natal e a outra do Oriente que se desenvolveu na festa da Epifania. As nossas informações são obviamente fragmentadas, baseadas nos escritos de autores antigos e raramente sobre escritos litúrgicos não fáceis de serem interpretados. Mas a partir desses dados è possível reconstruir uma história com muitas fontes.</div>
<p>È bom recordar antes de tudo, que a época do grande desenvolvimento da liturgia cristã teve inicio no IV século, depois da chamada ‘paz constantina’. É neste século, marcado por uma forte criatividade litúrgica, que se forma o ciclo do Natal e da Epifania: até então todo o culto era concentrado sobre o mistério pascal.</p>
<p>No ocidente os primeiros sinais da presença de uma festa de Natal, celebrada no dia 25 de dezembro, são da primeira metade do IV século. A festa era celebrada em Roma e passou imediatamente ao restante da Itália, Espanha e parte da África, onde se recordava no mesmo dia, a adoração dos reis magos e o massacre dos inocentes. A data de 25 de dezembro depende provavelmente da festa pagã de Solstício de inverno que começava na noite de 24 e 25 de dezembro. Há um século esta festa tinha se difundido em Roma, por causa do culto persa de Mitra, identificado com o sol, e com o nascente culto ao imperador: era a festa do sol que renascia e recomeçava a crescer depois do período invernal das jornadas. Cristo foi anunciado como o verdadeiro sol da justiça que veio ao mundo, num simbolismo bem compreensível a quem estava plasmado por aquela cultura.</p>
<p>Temos notícia de uma outra data: o teólogo e filósofo cristão, Clemente Alexandrino, faz referência a uma tradição presente na Palestina e no Egito no início do III século, um século antes dos primeiros atestados de 25 de dezembro no Ocidente. Esta datava o nascimento de Jesus no dia 20 de maio; outras notícias das áreas palestina e egípcia colocam em torno a esta data a memória da fuga para o Egito e o massacre dos inocentes. De qualquer forma dois séculos depois da afirmação de Clemente Alexandrino os sinais desta memória de 20 de maio desapareceram e ganhou força como o dia do nascimento de Jesus, principalmente no Oriente, o dia 6 de janeiro, a Festa da Epifania.</p>
<p>Eis depois a segunda data- chave deste tempo litúrgico, o dia 6 de janeiro. Incerta é a origem da data. Quanto ao nome “ Epifania”, indica uma origem oriental: é o termo grego que significa “Manifestação”. A festa já era conhecida na região da Síria na segunda metade do III século e depois no fim do IV século na Palestina e no Egito como celebração da manifestação de Jesus na sua encarnação, isto é do seu nascimento e da adoração dos magos. No Egito e na Síria se recordava também, talvez por decorrência de um precedente rito pagão sobre as águas, o batismo de Jesus, e algumas vezes o milagre de Caná. Aconteceu, todavia, que depois na Síria no período constantinopolitano, no final do IV século, introduziu-se o Natal ocidental no dia 25 de dezembro, o que provocou uma mudança de significado na festa de 6 de janeiro, que se tornou memória do batismo de Jesus em todo o oriente.</p>
<p>Curiosamente parece que o dia 6 de janeiro como memória da Natividade estava já presente na segunda metade do IV século também na França, única região ocidental. Mas já na primeira metade do V século além das celebrações da memória do batismo e o milagre de Caná com os três sinais que ainda hoje vêm cantados nas antífonas do <em>Benedictus e do Magnificat, </em>foi acrescentada também a celebração da Epifania.Assim como o Natal entrou no Oriente, no dia 25 de dezembro, assim a Epifania entrou no Ocidente, no dia 6 de janeiro. Pela falta de muitos dados não é possível dizer com precisão as passagens e suas mudanças.</p>
<p>O visitante da Terra Santa pode facilmente identificar a importância que estes fatos têm para a Igreja local. As liturgias católicas não reservam surpresas aos católicos. Particularmente a Missa do Natal celebrada pelo patriarca latino na igreja dos franciscanos em Belém, que tem um caráter oficial.</p>
<p>Quanto às celebrações das Igrejas orientais, é necessário ter presente dois fatos. O primeiro é que, pela falta da reforma do calendário Juliano da parte das Igrejas orientais, o calendário litúrgico ficou atrasado treze dias em relação ao nosso. Assim o dia 25 de dezembro corresponde ao nosso 7 de janeiro. As Igrejas orientais somente por motivo de calendário celebram o Natal quase em concomitância com a nossa festa da Epifania. No dia 6 de janeiro (que para eles é o dia 24 de dezembro) ocorre, em Belém, a grande festa com o ingresso dos chefes das Igrejas orientais na Basílica da Natividade. A máxima solenidade é reservada ao ingresso do patriarca e dos bispos ortodoxos com acompanhamento de tambores e gaitas de foles. Seguem durante a noite as liturgias, celebradas pelas Igrejas nos respectivos altares. O dia 6 do calendário Juliano corresponde ao dia 18 do nosso rito latino. Enquanto os ortodoxos celebram a Epifania, para eles o batismo de Jesus, cada Igreja vai ao rio Jordão.</p>
<p>Um segundo fato que é preciso ter presente é que no quadro que foi apresentado existe uma exceção: A Igreja armênia. Está presente, em Jerusalém, desde o inicio da sua existência e erradicada na própria tradição litúrgica mais antiga, não acolheu a inserção do dia 25 de dezembro no calendário; e quando depois as duas Igrejas se separaram definitivamente, manteve por um período: conservou a Epifania como antigo significado da memória da Natividade, e como desejo de fidelidade a própria tradição monofisita valorizou a memória do batismo, já presente antigamente. Reiterando assim liturgicamente em uma única festa, uma única natureza ( porque é esse o significado do termo monofisismo) de Jesus homem manifestado no nascimento em Belém e de Jesus como Deus manifestado na voz celeste durante o batismo. A legitimação do costume se acrescentou com o tempo uma confirmação histórica: o batismo de Jesus é celebrado no mesmo dia do nascimento, exatamente trinta anos depois. Para nós uma consideração exegética de Lucas 3,21-23 um pouco forçada. Como conseqüência de tudo isso é que a Igreja armênia está totalmente ausente da festa oriental do Natal de Belém, e que por ocasião da festa da Epifania não celebra no Jordão e sim em Belém, onde entre a tarde e a noite celebram juntos, na basílica, os dois mistérios.</p>
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		<title>MENSAGEM DE SUA SANTIDADE BENTO XVI PARA A CELEBRAÇÃO DO XLV DIA MUNDIAL DA PAZ</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 21:13:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>celsozanettijr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>

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		<description><![CDATA[EDUCAR OS JOVENS PARA A JUSTIÇA E A PAZ 1. O INÍCIO DE UM NOVO ANO, dom de Deus à humanidade, induz-me a desejar a todos, com grande confiança e estima, de modo especial que este tempo, que se abre diante de nós, fique marcado concretamente pela justiça e a paz. Com qual atitude devemos...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>EDUCAR OS JOVENS PARA A JUSTIÇA E A PAZ</strong></p>
<p>1. O INÍCIO DE UM NOVO ANO, dom de Deus à humanidade, induz-me a desejar a todos, com grande confiança e estima, de modo especial que este tempo, que se abre diante de nós, fique marcado concretamente pela justiça e a paz.</p>
<p>Com qual atitude devemos olhar para o novo ano? No salmo 130, encontramos uma imagem muito bela. O salmista diz que o homem de fé aguarda pelo Senhor « mais do que a sentinela pela aurora » (v. 6), aguarda por Ele com firme esperança, porque sabe que trará luz, misericórdia, salvação. Esta expectativa nasce da experiência do povo eleito, que reconhece ter sido educado por Deus a olhar o mundo na sua verdade sem se deixar abater pelas tribulações. Convido-vos a olhar o ano de 2012 com esta atitude confiante. É verdade que, no ano que termina, cresceu o sentido de frustração por causa da crise que aflige a sociedade, o mundo do trabalho e a economia; uma crise cujas raízes são primariamente culturais e antropológicas. Quase parece que um manto de escuridão teria descido sobre o nosso tempo, impedindo de ver com clareza a luz do dia.</p>
<p>Mas, nesta escuridão, o coração do homem não cessa de aguardar pela aurora de que fala o salmista. Esta expectativa mostra-se particularmente viva e visível nos jovens; e é por isso que o meu pensamento se volta para eles, considerando o contributo que podem e devem oferecer à sociedade. Queria, pois, revestir a Mensagem para o XLV Dia Mundial da Paz duma perspectiva educativa: « <em>Educar os jovens para a justiça e a paz </em>», convencido de que eles podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperança ao mundo.</p>
<p>A minha Mensagem dirige-se também aos pais, às famílias, a todas as componentes educativas, formadoras, bem como aos responsáveis nos diversos âmbitos da vida religiosa, social, política, económica, cultural e mediática. Prestar atenção ao mundo juvenil, saber escutá-lo e valorizá-lo para a construção dum futuro de justiça e de paz não é só uma oportunidade mas um dever primário de toda a sociedade.</p>
<p>Trata-se de comunicar aos jovens o apreço pelo valor positivo da vida, suscitando neles o desejo de consumá-la ao serviço do Bem. Esta é uma tarefa, na qual todos nós estamos, pessoalmente, comprometidos.</p>
<p>As preocupações manifestadas por muitos jovens nestes últimos tempos, em várias regiões do mundo, exprimem o desejo de poder olhar para o futuro com fundada esperança. Na hora actual, muitos são os aspectos que os trazem apreensivos: o desejo de receber uma formação que os prepare de maneira mais profunda para enfrentar a realidade, a dificuldade de formar uma família e encontrar um emprego estável, a capacidade efectiva de intervir no mundo da política, da cultura e da economia contribuindo para a construção duma sociedade de rosto mais humano e solidário.</p>
<p>É importante que estes fermentos e o idealismo que encerram encontrem a devida atenção em todas  as componentes da sociedade. A Igreja olha para os jovens com esperança, tem confiança neles e encoraja-os a procurarem a verdade, a defenderem o bem comum, a possuírem perspectivas abertas sobre o mundo e olhos capazes de ver « coisas novas » (<em>Is </em>42, 9; 48, 6).</p>
<p><em><strong>Os responsáveis da educação</strong></em></p>
<p>2. A educação é a aventura mais fascinante e difícil da vida. Educar – na sua etimologia latina <em>educere</em> – significa conduzir para fora de si mesmo ao encontro da realidade, rumo a uma plenitude que faz crescer a pessoa. Este processo alimenta-se do encontro de duas liberdades: a do adulto e a do jovem. Isto exige a responsabilidade do discípulo, que deve estar disponível para se deixar guiar no conhecimento da realidade, e a do educador, que deve estar disposto a dar-se a si mesmo. Mas, para isso, não bastam meros dispensadores de regras e informações; são necessárias testemunhas autênticas, ou seja, testemunhas que saibam ver mais longe do que os outros, porque a sua vida abraça espaços mais amplos. A testemunha é alguém que vive, primeiro, o caminho que propõe.</p>
<p>E quais são os lugares onde amadurece uma verdadeira educação para a paz e a justiça? Antes de mais nada, a família, já que os pais são os primeiros educadores. A família é célula originária da sociedade. « É na família que os filhos aprendem os valores humanos e cristãos que permitem uma convivência construtiva e pacífica. É na família que aprendem a solidariedade entre as gerações, o respeito pelas regras, o perdão e o acolhimento do outro ».<a title="" name="_ftnref1" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn1"></a>[1] Esta é a primeira escola, onde se educa para a justiça e a paz.</p>
<p>Vivemos num mundo em que a família e até a própria vida se vêem constantemente ameaçadas e, não raro, destroçadas. Condições de trabalho frequentemente pouco compatíveis com as responsabilidades familiares, preocupações com o futuro, ritmos frenéticos de vida, emigração à procura dum adequado sustentamento se não mesmo da pura sobrevivência, acabam por tornar difícil a possibilidade de assegurar aos filhos um dos bens mais preciosos: a presença dos pais; uma presença, que permita compartilhar de forma cada vez mais profunda o caminho para se poder transmitir a experiência e as certezas adquiridas com os anos – o que só se torna viável com o tempo passado juntos. Queria aqui dizer aos pais para não desanimarem! Com o exemplo da sua vida, induzam os filhos a colocar a esperança antes de tudo em Deus, o único de quem surgem justiça e paz autênticas.</p>
<p>Quero dirigir-me também aos responsáveis das instituições com tarefas educativas: Velem, com grande sentido de responsabilidade, por que seja respeitada e valorizada em todas as circunstâncias a dignidade de cada pessoa. Tenham a peito que cada jovem possa descobrir a sua própria vocação, acompanhando-o para fazer frutificar os dons que o Senhor lhe concedeu. Assegurem às famílias que os seus filhos não terão um caminho formativo em contraste com a sua consciência e os seus princípios religiosos.</p>
<p>Possa cada ambiente educativo ser lugar de abertura ao transcendente e aos outros; lugar de diálogo, coesão e escuta, onde o jovem se sinta valorizado nas suas capacidades e riquezas interiores e aprenda a apreciar os irmãos. Possa ensinar a saborear a alegria que deriva de viver dia após dia a caridade e a compaixão para com o próximo e de participar activamente na construção duma sociedade mais humana e fraterna.</p>
<p>Dirijo-me, depois, aos responsáveis políticos, pedindo-lhes que ajudem concretamente as famílias e as instituições educativas a exercerem o seu direito-dever de educar. Não deve jamais faltar um adequado apoio à maternidade e à paternidade. Actuem de modo que a ninguém seja negado o acesso à instrução e que as famílias possam escolher livremente as estruturas educativas consideradas mais idóneas para o bem dos seus filhos. Esforcem-se por favorecer a reunificação das famílias que estão separadas devido à necessidade de encontrar meios de subsistência. Proporcionem aos jovens uma imagem transparente da política, como verdadeiro serviço para o bem de todos.</p>
<p>Não posso deixar de fazer apelo ainda ao mundo dos <em>media </em>para que prestem a sua contribuição educativa. Na sociedade actual, os meios de comunicação de massa têm uma função particular: não só informam, mas também formam o espírito dos seus destinatários e, consequentemente, podem concorrer notavelmente para a educação dos jovens. É importante ter presente a ligação estreitíssima que existe entre educação e comunicação: de facto, a educação realiza-se por meio da comunicação, que influi positiva ou negativamente na formação da pessoa.</p>
<p>Também os jovens devem ter a coragem de começar, eles mesmos, a viver aquilo que pedem a quantos os rodeiam. Que tenham a força de fazer um uso bom e consciente da liberdade, pois cabe-lhes em tudo isto uma grande responsabilidade: são responsáveis pela sua própria educação e formação para a justiça e a paz.</p>
<p><em><strong>Educar para a verdade e a liberdade</strong></em></p>
<p>3. Santo Agostinho perguntava-se: « <em>Quid enim fortius desiderat anima quam veritatem </em>– que deseja o homem mais intensamente do que a verdade? ».<a title="" name="_ftnref2" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn2"></a>[2] O rosto humano duma sociedade depende muito da contribuição da educação para manter viva esta questão inevitável. De facto, a educação diz respeito à formação integral da pessoa, incluindo a dimensão moral e espiritual do seu ser, tendo em vista o seu fim último e o bem da sociedade a que pertence. Por isso, a fim de educar para a verdade, é preciso antes de mais nada saber que é a pessoa humana, conhecer a sua natureza. Olhando a realidade que o rodeava, o salmista pôs-se a pensar: « Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que Vós criastes: que é o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes? » (<em>Sal </em>8, 4-5). Esta é a pergunta fundamental que nos devemos colocar: <em>Que é o homem?</em> O homem é um ser que traz no coração uma sede de infinito, uma sede de verdade – não uma verdade parcial, mas capaz de explicar o sentido da vida –, porque foi criado à imagem e semelhança de Deus. Assim, o facto de reconhecer com gratidão a vida como dom inestimável leva a descobrir a dignidade profunda e a inviolabilidade própria de cada pessoa. Por isso, a primeira educação consiste em aprender a reconhecer no homem a imagem do Criador e, consequentemente, a ter um profundo respeito por cada ser humano e ajudar os outros a realizarem uma vida conforme a esta sublime dignidade. É preciso não esquecer jamais que « o autêntico desenvolvimento do homem diz respeito unitariamente à totalidade da pessoa em todas as suas dimensões »,<a title="" name="_ftnref3" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn3"></a>[3] incluindo a transcendente, e que não se pode sacrificar a pessoa para alcançar um bem particular, seja ele económico ou social, individual ou colectivo.</p>
<p>Só na relação com Deus é que o homem compreende o significado da sua liberdade, sendo tarefa da educação formar para a liberdade autêntica. Esta não é a ausência de vínculos, nem o império do livre arbítrio; não é o absolutismo do eu. Quando o homem se crê um ser absoluto, que não depende de nada nem de ninguém e pode fazer tudo o que lhe apetece, acaba por contradizer a verdade do seu ser e perder a sua liberdade. De facto, o homem é precisamente o contrário: um ser relacional, que vive em relação com os outros e sobretudo com Deus. A liberdade autêntica não pode jamais ser alcançada, afastando-se d’Ele.</p>
<p>A liberdade é um valor precioso, mas delicado: pode ser mal entendida e usada mal. « Hoje um obstáculo particularmente insidioso à acção educativa é constituído pela presença maciça, na nossa sociedade e cultura, daquele relativismo que, nada reconhecendo como definitivo, deixa como última medida somente o próprio eu com os seus desejos e, sob a aparência da liberdade, torna-se para cada pessoa uma prisão, porque separa uns dos outros, reduzindo cada um a permanecer fechado dentro do próprio “eu”. Dentro de um horizonte relativista como este, não é possível, portanto, uma verdadeira educação: sem a luz da verdade, mais cedo ou mais tarde cada pessoa está, de facto, condenada a duvidar da bondade da sua própria vida e das relações que a constituem, da validez do seu compromisso para construir com os outros algo em comum ».<a title="" name="_ftnref4" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn4"></a>[4]</p>
<p>Por conseguinte o homem, para exercer a sua liberdade, deve superar o horizonte relativista e conhecer a verdade sobre si próprio e a verdade acerca do que é bem e do que é mal. No íntimo da consciência, o homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer e cuja voz o chama a amar e fazer o bem e a fugir do mal, a assumir a responsabilidade do bem cumprido e do mal praticado.<a title="" name="_ftnref5" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn5"></a>[5] Por isso o exercício da liberdade está intimamente ligado com a lei moral natural, que tem carácter universal, exprime a dignidade de cada pessoa, coloca a base dos seus direitos e deveres fundamentais e, consequentemente, da convivência justa e pacífica entre as pessoas.</p>
<p>Assim o recto uso da liberdade é um ponto central na promoção da justiça e da paz, que exigem a cada um o respeito por si próprio e pelo outro, mesmo possuindo um modo de ser e viver distante do meu. Desta atitude derivam os elementos sem os quais paz e justiça permanecem palavras desprovidas de conteúdo: a confiança recíproca, a capacidade de encetar um diálogo construtivo, a possibilidade do perdão, que muitas vezes se quereria obter mas sente-se dificuldade em conceder, a caridade mútua, a compaixão para com os mais frágeis, e também a prontidão ao sacrifício.</p>
<p><em><strong>Educar para a justiça</strong></em></p>
<p>4. No nosso mundo, onde o valor da pessoa, da sua dignidade e dos seus direitos, não obstante as proclamações de intentos, está seriamente ameaçado pela tendência generalizada de recorrer exclusivamente aos critérios da utilidade, do lucro e do ter, é importante não separar das suas raízes transcendentes o conceito de justiça. De facto, a justiça não é uma simples convenção humana, pois o que é justo determina-se originariamente não pela lei positiva, mas pela identidade profunda do ser humano. É a visão integral do homem que impede de cair numa concepção contratualista da justiça e permite abrir também para ela o horizonte da solidariedade e do amor.<a title="" name="_ftnref6" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn6"></a>[6]</p>
<p>Não podemos ignorar que certas correntes da cultura moderna, apoiadas em princípios económicos racionalistas e individualistas, alienaram das suas raízes transcendentes o conceito de justiça, separando-o da caridade e da solidariedade. Ora « a “cidade do homem” não se move apenas por relações feitas de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por relações de gratuidade, misericórdia e comunhão. A caridade manifesta sempre, mesmo nas relações humanas, o amor de Deus; dá valor teologal e salvífico a todo o empenho de justiça no mundo ».<a title="" name="_ftnref7" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn7"></a>[7]</p>
<p>« Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados » (<em>Mt </em>5, 6). Serão saciados, porque têm fome e sede de relações justas com Deus, consigo mesmo, com os seus irmãos e irmãs, com a criação inteira.</p>
<p><em><strong>Educar para a paz</strong></em></p>
<p>5. « A paz não é só ausência de guerra, nem se limita a assegurar o equilíbrio das forças adversas. A paz não é possível na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos e a prática assídua da fraternidade ».<a title="" name="_ftnref8" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn8"></a>[8] A paz é fruto da justiça e efeito da caridade. É, antes de mais nada, dom de Deus. Nós, os cristãos, acreditamos que a nossa verdadeira paz é Cristo: n’Ele, na sua Cruz, Deus reconciliou consigo o mundo e destruiu as barreiras que nos separavam uns dos outros (cf. <em>Ef </em>2, 14-18); n’Ele, há uma única família reconciliada no amor.</p>
<p>A paz, porém, não é apenas dom a ser recebido, mas obra a ser construída. Para sermos verdadeiramente artífices de paz, devemos educar-nos para a compaixão, a solidariedade, a colaboração, a fraternidade, ser activos dentro da comunidade e solícitos em despertar as consciências para as questões nacionais e internacionais e para a importância de procurar adequadas modalidades de redistribuição da riqueza, de promoção do crescimento, de cooperação para o desenvolvimento e de resolução dos conflitos. « Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus » – diz Jesus no sermão da montanha (<em>Mt </em>5, 9).</p>
<p>A paz para todos nasce da justiça de cada um, e ninguém pode subtrair-se a este compromisso essencial de promover a justiça segundo as respectivas competências e responsabilidades. De forma particular convido os jovens, que conservam viva a tensão pelos ideais, a procurarem com paciência e tenacidade a justiça e a paz e a cultivarem o gosto pelo que é justo e verdadeiro, mesmo quando isso lhes possa exigir sacrifícios e obrigue a caminhar contracorrente.</p>
<p><em><strong>Levantar os olhos para Deus</strong></em></p>
<p>6. Perante o árduo desafio de percorrer os caminhos da justiça e da paz, podemos ser tentados a interrogar-nos como o salmista: « Levanto os olhos para os montes, de onde me virá o auxílio? » (<em>Sal </em>121, 1).</p>
<p>A todos, particularmente aos jovens, quero bradar: « Não são as ideologias que salvam o mundo, mas unicamente o voltar-se para o Deus vivo, que é o nosso criador, o garante da nossa liberdade, o garante do que é deveras bom e verdadeiro (…), o voltar-se sem reservas para Deus, que é a medida do que é justo e, ao mesmo tempo, é o amor eterno. E que mais nos poderia salvar senão o amor? ».<a title="" name="_ftnref9" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftn9"></a>[9] O amor rejubila com a verdade, é a força que torna capaz de comprometer-se pela verdade, pela justiça, pela paz, porque tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (cf. <em>1 Cor </em>13, 1-13).</p>
<p>Queridos jovens, vós sois um dom precioso para a sociedade. Diante das dificuldades, não vos deixeis invadir pelo desânimo nem vos abandoneis a falsas soluções, que frequentemente se apresentam como o caminho mais fácil para superar os problemas. Não tenhais medo de vos empenhar, de enfrentar a fadiga e o sacrifício, de optar por caminhos que requerem fidelidade e constância, humildade e dedicação.</p>
<p>Vivei com confiança a vossa juventude e os anseios profundos que sentis de felicidade, verdade, beleza e amor verdadeiro. Vivei intensamente esta fase da vida, tão rica e cheia de entusiasmo.</p>
<p>Sabei que vós mesmos servis de exemplo e estímulo para os adultos, e tanto mais o sereis quanto mais vos esforçardes por superar as injustiças e a corrupção, quanto mais desejardes um futuro melhor e vos comprometerdes a construí-lo. Cientes das vossas potencialidades, nunca vos fecheis em vós próprios, mas trabalhai por um futuro mais luminoso para todos. Nunca vos sintais sozinhos! A Igreja confia em vós, acompanha-vos, encoraja-vos e deseja oferecer-vos o que tem de mais precioso: a possibilidade de levantar os olhos para Deus, de encontrar Jesus Cristo – Ele que é a justiça e a paz.</p>
<p>Oh vós todos, homens e mulheres, que tendes a peito a causa da paz! Esta não é um bem já alcançado mas uma meta, à qual todos e cada um deve aspirar. Olhemos, pois, o futuro com maior esperança, encorajemo-nos mutuamente ao longo do nosso caminho, trabalhemos para dar ao nosso mundo um rosto mais humano e fraterno e sintamo-nos unidos na responsabilidade que temos para com as jovens gerações, presentes e futuras, nomeadamente quanto à sua educação para se tornarem pacíficas e pacificadoras! Apoiado em tal certeza, envio-vos estas refl exões que se fazem apelo: Unamos as nossas forças espirituais, morais e materiais, a fim de « educar os jovens para a justiça e a paz ».</p>
<p><em>Vaticano, 8 de Dezembro de 2011.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>BENEDICTUS PP XVI</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><strong>Notas</strong></p>
<p><a title="" name="_ftn1" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref1"></a>[1] Bento XVI, <em> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2011/january/documents/hf_ben-xvi_spe_20110114_amministrazione-lazio_po.html">Discurso aos administradores da Região do Lácio, do Município e da Província de Roma</a> </em>(14 de Janeiro de 2011): <em>L’Osservatore Romano </em>(ed. port. de 22/I/2011), 5.</p>
<p><a title="" name="_ftn2" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref2"></a>[2] <em>Comentário ao Evangelho de S. João</em>, 26, 5.</p>
<p><a title="" name="_ftn3" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref3"></a>[3] Bento XVI, Carta enc. <em> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html">Caritas in veritate</a> </em>(29 de Junho de 2009), 11:<em> AAS </em>101 (2009), 648; cf. Paulo VI, Carta enc. <em> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_26031967_populorum_po.html">Populorum progressio</a> </em>(26 de Março de 1967), 14: <em>AAS </em>59 (1967), 264.</p>
<p><a title="" name="_ftn4" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref4"></a>[4] Bento XVI, <em> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2005/june/documents/hf_ben-xvi_spe_20050606_convegno-famiglia_po.html">Discurso por ocasião da abertura do Congresso eclesial diocesano na Basílica de São João de Latrão</a> </em>(6 de Junho de 2005): <em>AAS </em>97 (2005), 816.</p>
<p><a title="" name="_ftn5" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref5"></a>[5] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo<em> <a href="http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html">Gaudium et spes</a></em>, 16.</p>
<p><a title="" name="_ftn6" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref6"></a>[6] Cf. Bento XVI, <em> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2011/september/documents/hf_ben-xvi_spe_20110922_reichstag-berlin_po.html">Discurso no Parlamento federal alemão</a> </em>(Berlim, 22 de Setembro de 2011): <em>L’Osservatore Romano </em>(ed. port. de 24/IX/2011), 4-5.</p>
<p><a title="" name="_ftn7" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref7"></a>[7] Bento XVI, Carta enc. <em> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html">Caritas in veritate</a> </em>(29 de Junho de 2009), 6:<em> AAS </em>101 (2009), 644-645.</p>
<p><a title="" name="_ftn8" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref8"></a>[8] <em> <a href="http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html">Catecismo da Igreja Católica</a></em>, 2304.</p>
<p><a title="" name="_ftn9" href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20111208_xlv-world-day-peace_po.html#_ftnref9"></a>[9] Bento XVI, <em> <a href="http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2005/august/documents/hf_ben-xvi_spe_20050820_vigil-wyd_po.html">Homilia durante a vigília com os jovens</a> </em>(Colónia, 20 de Agosto de 2005): <em>AAS </em>97 (2005), 885-886.</p>
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<p align="center"><span style="color: #663300; font-size: small;">© Copyright 2011 &#8211; Libreria Editrice Vaticana</span></p>
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